De repente não tem mais aula. Não do jeito que estávamos acostumados. O planejamento feito não serve mais para o momento. Tudo parou! E ficou diferente. Nos corredores, estacionamentos, laboratórios, o corre-corre não é mais de alunos. A corrida agora é contra o tempo para dar conta de uma infraestrutura tecnológica gigantesca , capaz de reproduzir no ambiente virtual toda a efervescência e pluralidade de uma universidade.

Não é uma tarefa fácil, mas necessária. Milhares de salas sendo criadas simultaneamente, porque simultâneas também são as atividades das dezenas de cursos de graduação, especialização, mestrados e doutorados. Ao mesmo tempo em que é preciso correr, também é preciso absorver uma realidade que chegou sem pedir licença. E lá vamos nós caminhando a passos largos para o agora tão falado novo normal. Mas o que é esse novo normal?

Na universidade grande parte dele se faz pelas telas de computadores, tablets e smartphones. Seja para quem estuda. Seja para quem ministra aulas. Ou para quem atua em funções administrativas. No final, estão todos do mesmo lado da tela. Todo mundo junto, mas separados por um mar de dados, de tecnologia, de medos e incertezas. E todos fazendo um esforço gigantesco para seguir em frente. E seguimos.

E se muito do que aprendemos até aqui foi por meios digitais, há ainda um aprendizado que é impossível de mensurar. Aquele que ocorre na linha de frente de enfrentamento de um problema com proporções globais, que bagunçou, que tirou tudo no lugar para que pudéssemos repensar que lugar é esse. Qual o nosso lugar na história e nessa história. E mesmo com tantas indagações, continuamos seguindo, em frente, e ouvimos que tudo ficará bem. Nem todos acreditam ou nem sempre acreditam, mas continuam, e desse continuar surgem ideias que dão sentido e fazem tudo se mover, que fazem todos participar.

E eis que o fio de esperança, aquela que na verdade nunca morre, nos ilumina e nos permite enxergar a continuidade, o que está por vir. E nos agarramos a ele com a certeza de que o futuro é logo ali, mas que precisamos viver o presente, enfrentar o problema do presente, sem perder de vista o futuro que desejamos, aquele que não espera e para o qual seguimos, vivendo um dia de cada vez porque, no final de tudo isso, vislumbramos um novo horizonte, um amanhã que todos dizem, e nós acreditamos, em que seremos mais fortes. E seguimos, juntos!

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