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Combate à violência sexual é discutido com adolescentes da região Noroeste de Goiânia

Cecom reuniu adolescentes da comunidade em momento formativo. Evento é alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes

© by Weslley Cruz

Foi no Centro de Educação Comunitária de Meninas e Meninos (Cecom) da PUC Goiás que a jovem Marina Barcelos, 18, viu o mundo de outra forma. Moradora do Setor Santos Dumont, região noroeste da capital, ela ingressou no centro comunitário com apenas cinco anos de idade e lá pôde tecer seu projeto de vida.

Estudante do 3º ano do Ensino Médio, a menina estuda atualmente no Colégio Estadual Robinho Martins de Azevedo e é líder comunitária na escola. “Lá nós ajudamos muitos alunos que têm problema de depressão ou passam por outras dificuldades. A escola nos incentiva muito e estou estudando bastante para poder fazer um curso de Odontologia”, almeja a egressa do projeto de extensão da universidade.

Ela recebeu um certificado de formação na tarde desta quarta-feira, 29, juntamente com outros jovens e adolescentes, que participaram da roda de conversa intitulada Como combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes: um debate com os jovens da comunidade da Região Noroeste de Goiânia, realizada na sede do Cecom. O evento foi mediado pelo prof. Edson Lucas Viana, coordenador do Centro, e contou com a participação do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Federal, Fabrício Rosa, que discorreu sobre o quadro de violência sexual em Goiás. Segundo o policial rodoviário federal cerca de 15 mil estupros acontecem anualmente apenas no estado goiano.

Essa realidade sempre foi uma preocupação do Cecom, que nasceu em 1983, com o intuito inicial de acompanhar as famílias cujas filhas adolescentes eram contratadas para se prostituir em garimpos da região Norte de Goiás. “Naquela época, muitas vezes, as famílias incentivavam, porque achavam que essa situação gerava renda, mas depois perceberam que não havia renda nenhuma e, assim, foram tomando consciência para buscar outras alternativas econômicas para suas filhas. Essas meninas voltavam com doenças, eram mutiladas, assassinadas. Era uma situação escravocrata, de exploração da mulher”, lembrou o coordenador do Cecom.

O coordenador ressaltou que o objetivo central do evento, alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes, celebrado no dia 18 de maio, é alertar as pessoas sobre a relevância do tema. “É uma ferida que nunca cicatriza. Uma vez abusada a criança precisa de acompanhamento por toda a vida”, enfatizou Edson. No Brasil essa data é relembrada anualmente como memória a menina Araceli, que foi raptada, estuprada e brutalmente assassinada em Vitória (ES), em 1973, com apenas 8 anos de idade.

O momento formativo do Cecom foi prestigiado pela coordenação do Instituto Dom Fernando da PUC Goiás, representantes do Conselho Tutelar da região Noroeste, profissionais e técnicos do Centro de Referência em Assistência Social do Capuava, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e Adolescente, além de jovens estudantes da comunidade.

Com a missão de acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco social, além de fazer um acompanhamento das famílias desses jovens, o Cecom funciona de segunda a sexta-feira, no Setor Santos Dumont, em horário comercial, promovendo atividades culturais, recreativas e momentos formativos para incentivar o protagonismo do jovem, da sua família, e auxiliar na construção do seu projeto de vida.

De acordo com a coordenadora pedagógica do projeto, Suelma Cândido, o Centro também oferece cursos profissionalizantes gratuitos de cabeleireiro e barbearia para pessoas da comunidade. Atualmente a escola comunitária atende mais de 400 crianças e adolescentes com faixa etária entre 5 e 14 anos e 100 profissionais de beleza são formados por semestre, muitos deles familiares dos jovens acompanhados no local.

As crianças acolhidas no projeto são indicadas por pessoas da comunidade, juizados, conselhos tutelares e todos os equipamentos sociais os quais o projeto conta com parceria. Além dos encaminhamentos, outra forma de ingresso é a inscrição quando o Cecom oferta novas vagas para a comunidade. Mais informações podem ser obtidas no telefone: 3299-7753.

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Fotos: Weslley Cruz