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Superando barreira da surdez, aluna apresenta primeira etapa de TCC

Maria Leonor, da Engenharia Civil, apresentou proposta voltada para a sustentabilidade, a partir de estudo comparativo entre as lajes mais populares em obras

© by Arquivo pessoal

Em meio ao usual corre-corre de estudantes em apresentações finais em dezembro, um caso chamou atenção na noite da quarta-feira, 12. A acadêmica de Engenharia Civil Maria Leonor, 23, apresentou-se pela primeira vez em público e logo para a primeira etapa do Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC 1. Superando a barreira da surdez, a estudante defendeu seu projeto oralizando [falando] para os avaliadores, na sala 208 F da Área 3, no Setor Leste universitário.

“Foi a melhor apresentação das seis bancas que tive hoje”, revelou o professor e orientador Marco Aurélio Tavares Caetano, da Escola de Engenharia. “Ela é uma aluna comprometida e foi muito gratificante ver o seu crescimento, mas ela ainda precisa acreditar mais no seu potencial. Acho que isso virá com o tempo e as oportunidades que ela tiver de se aperfeiçoar”.

De fato, Maria Leonor se manteve tímida e nervosa com a apresentação. Permitiu apenas que duas amigas a assistissem, mas terminou a defesa aliviada aceitando o desafio de se apresentar em um auditório, no final do próximo semestre. “Eu ia toda semana nas orientações para pedir ajuda, mas minha dificuldade maior foi me apresentar”, esclarece a estudante.

Nascida com essa particularidade, a jovem lutou para encontrar seu espaço em um sistema, na maioria das vezes, excludente. “Eu faço leitura labial, então acabei tendo que estudar mais que os outros, porque o que eu não entendia eu buscava depois, na biblioteca. Eu pegava livros e estudava o tempo todo”, lembra. Em sala, também já chegou a pedir que professor e colegas falassem mais devagar. Hoje, o processo de aprendizagem e de comunicação é mais orgânico.

Enquanto apresentava sua proposta, que compara duas soluções de tipos de laje, em busca de sustentabilidade econômica para projetos, a estudante teve como torcida duas amigas de curso, Adda e Lorrane.

“Além de fazer a pesquisa, ela fez um curso, fora da universidade, sobre o programa que vai utilizar no trabalho. Ela é muito proativa”, disse, admirada, Lorrane Grasiele Silva Santos Reis, 26. “Durante esse processo [de convivência], ela sempre nos deu lições, porque ela sempre se supera”, refletiu Adda Guimarães do Nascimento, 23.

Maria é uma das alunas atendidas, na universidade, pelo Programa de Acessibilidade, vinculado à Pró-Reitoria de Graduação da PUC Goiás, que está disponível para atender demandas e ajudar em articulações e adequações dos alunos com deficiência ou com necessidades especiais de aprendizagem.