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Escola de Comunicação homenageia cineasta Luiz Eduardo Jorge

Irmãs receberam placa em homenagem ao docente durante evento sobre os 30 anos do acidente com Césio 137, um dos temas abordados em seus documentários

© by Wagmar Alves

Um professor dedicado e um profissional do audiovisual criativo e sensível às causas sociais: descrito assim por ex-colegas da PUC Goiás e por familiares, o cineasta Luiz Eduardo Jorge, morto em maio deste ano, foi homenageado pela Escola de Comunicação da universidade na noite desta segunda-feira, 04. Realizada no Teatro PUC, no Câmpus V, a solenidade encerrou a programação do seminário Césio 137- 30 anos de mitos e verdades, realizado pela Escola – que congrega os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda – em parceria com o Programa de Direitos Humanos (PDH) da instituição.

Um dos trabalhos mais conhecidos de Jorge trata justamente do acidente radioativo que aconteceu em Goiânia, em 1987. Em Césio 137: o brilho da morte, ele narra as omissões do poder público e denuncia as sequelas físicas e emocionais que se seguiram ao episódio. Luiz Eduardo atuou como docente da Escola de Comunicação por cerca de quatro anos, ministrando disciplina sobre documentário. Desde a década de 1980, integrava o quadro de pesquisadores do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) da universidade.

Irmãs do cineasta, Maria de Fátima Jorge e Maria Nazareta Jorge Barroso, receberam das mãos do reitor Wolmir Amado e da diretora do IGPA, profa. Eliane Lopes, uma placa em sua homenagem. Emocionadas, elas disseram que se sentiam “gratas pela homenagem ao trabalho”, sempre feito com “muita garra”. Entre as lembranças de Luiz Eduardo, a valorização do viés social em suas abordagens documentárias.  “O trabalho era a coisa mais importante da vida dele. Ele queria deixar um legado para a universidade, para que os alunos conhecessem sua obra”, recordam.

A diretora da Escola de Comunicação, profa. Sabrina Moreira, ressaltou a relação de Luiz Eduardo com o tema do seminário, a sua contribuição para a produção audiovisual em Goiás e para o ensino na instituição. “Pela sua sensibilidade na tratativa dos temas, pelo que ensinou aos nossos alunos de Jornalismo no tempo em que esteve na nossa Escola, nós decidimos por essa homenagem”, explicou.

A diretora do IGPA, profa. Eliane Lopes, recordou a convivência com o colega, conhecido pela sua sensibilidade e criatividade profissional. “Era um visionário, de extrema sensibilidade, tanto que conseguia perceber além dessa dimensão social. Os temas trabalhados por ele sempre foram muito críticos”, analisa, citando o sentimento de alegria pela “possibilidade do IGPA devolver um pouquinho daquilo que ele deixou para nós”.

Para o reitor Wolmir Amado, a atuação de Luiz Eduardo enquanto docente da instituição e cineasta dialoga com a visão educativa da PUC Goiás. “Foi um profissional de muita capacidade em sua área profissional, soube trabalhar temas candentes, fortes e alinhava, portanto, muito bem a visão da própria instituição com uma percepção humanista da vida, que é o que nós queremos sempre mais como projeto educativo para a universidade”, frisa.

O gestor ressalta que mais do que a qualidade técnica, o que se busca são profissionais que aliem temas relevantes para a realidade local. “Não é só uma formação profissional, só um cineasta que grava imagens por gravá-las e que faz um documentário porque é uma atividade técnico-profissional, mas, sobretudo algum que elege temas, recortes da vida, experiências da realidade local e procura mostrar um horizonte mais abrangente, em seu impacto para a humanidade”, pondera, citando a importância de se discutir um tema como os acidentes radioativos.

Profissão e memória

A programação do seminário Césio 137- 30 anos de mitos e verdades foi iniciada no período da manhã. Um painel abordou o assunto e contou com a participação do publicitário Hamilton Carneiro, das jornalistas Rachel Azeredo e Carla Lacerda, da presidente da Associação das Vítimas do Césio 137, Sueli Lima, e do professor do curso de Direito da PUC Goiás, Júlio Nascimento.

Para a diretora da Escola de Comunicação, a visão de jornalistas e publicitários que vivenciaram o acidente radioativo e os esforços de se mudar a imagem de Goiânia – arranhada depois do episódio – demonstra como foi importante registrar o que havia conhecido. “O professor Luiz Eduardo Jorge deu uma contribuição inestimável para que memória e a vida dessas pessoas, que ainda hoje são afetadas por tudo que aconteceu, para que ainda hoje essas vozes sejam ouvidas por todos nós que não vivenciamos isso diretamente”, ressaltou.

No período da noite, além da homenagem, foram exibidos o documentário O brilho da morte, dirigido por  Luiz Eduardo Jorge; Césio: 30 anos do brilho da morte, dirigido e produzido pelos egressos de Jornalismo Wanessa Rúbio e Frederico Coelho; e Goiânia 1987: Sob o olhar da imprensa, dirigido e produzido pelos egressos de Danila Bernardes, Leandro Amaral, Mayone Pires e Michelle Rabelo. Também foi exibido o documentário Algo do que Fica, com direção e produção de Benedito Ferreira. O filme foi premiado neste ano no Fica e em um festival em Berlim, na Alemanha.

Trajetória

 

Luiz Eduardo Jorge. Acervo PUC Goiás

Luís Eduardo Jorge estudou Cinema e Audiovisual na Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP). Era licenciado em História pela então Universidade Católica de Goiás, especializado em Antropologia com Recursos Audiovisuais, Etnologia e Antropologia. Foi mestre em Ciências da Comunicação e doutor em Artes, ambos pela Universidade de São Paulo (USP).

Ao longo de sua carreira, dirigiu dezenas de filmes, entre eles, os curtas Bubula – O Cara Vermelha (1999), Antecipando o Absurdo (2001) e Césio 137: O Brilho da Morte (2003). A produção audiovisual rendeu prêmios, como Menção Honrosa no 13º Videobrasil, de São Paulo, em 2001, e Melhor Produção Goiana no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), em 2003.

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Fotos: Wagmar Alves