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Acadêmico da Medicina relata experiência na África

© by Arquivo Pessoal

O acadêmico do curso de Medicina da PUC Goiás, Satyaki Afonso, participou da última Caravana da Saúde promovida pela ONG Fraternidade sem Fronteiras, na segunda quinzena de julho deste ano, em Moçambique, no distrito de Chicualacuala (África). Juntamente a 50 profissionais e voluntários de diversos países do mundo, entre médicos, dentistas e enfermeiros, a equipe prestou atendimento médico às famílias da região, com uma atenção mais focada às crianças.

“É o país que tem um dos menores índices de desenvolvimento humano do mundo. O número de órfãos é grande e há 13 anos não chove regularmente na região. Em função disso, eles não têm onde plantar e as crianças são extremamente desnutridas. Casos de pneumonia e tuberculose são também comuns”, relatou o futuro médico, que também é voluntário na organização e representante da ONG em Goiás. Apenas em Moçambique foram instalados 24 centros de acolhimento onde as crianças recebem a atenção adequada, mediante atuação dos voluntários do projeto.

“É uma experiência que possibilita um contato com pessoas em situação de extrema pobreza que não reclamam de nada. Nós pensamos que vamos doar, mas recebamos muito amor e carinho. O pouco que a gente consegue fazer para eles já é tudo, é uma mistura de sentimentos”, conta o estudante ao ressaltar, também, a importância da humanização da saúde aonde quer que esteja atuando o médico.

A Fraternidade também conta com um novo foco de atuação em Madagascar – região que apresenta uma maior incidência de doenças sanitárias, devido à falta de infraestrutura e saneamento básico. “A água é um artigo de luxo e as crianças só tomam banho quando chove”, descreve.

Como ajudar
A Organização auxilia crianças com microcefalia no nordeste brasileiro e várias caravanas (com diversos focos de atuação) são realizadas para África ao longo do ano. Qualquer pessoa da comunidade pode participar das caravanas e conhecer os centros de acolhimento, como também prestar auxílio financeiro por meio de um sistema de apadrinhamento. Conheça mais o projeto no site: www.fraternidadesemfronteiras.org.br

 

Abaixo, um trecho do diário do acadêmico, redigido durante a Caravana para Moçambique:

No dia 19 de Julho, atendíamos aproximadamente 650 crianças na Aldeia 3 de Fevereiro, uma das maiores da região de Chicualacuala. Em certo momento, veio carregada nas costas pela mãe, uma criança chamada Celine. Esta, com 4 anos de idade, peso de uma criança de 2 anos, gravemente desnutrida. A mãe nos relatou que com cerca de 1 ano e meio, Celine começou a ter crises convulsivas, parou de andar e falar. Nessa hora pensei como agiríamos por aqui com um filho tendo crises convulsivas. Certamente sairíamos correndo ao hospital mais próximo em busca de pronto atendimento. Mas a mãe de Celine não. Tudo o que ela podia fazer era assistir sua filha convulsionar, pois não haveria nada a se fazer nessa região por ela até agora. E há mais de 2 anos a história se repetia. Ao atendê-la, Celine não pronunciou nenhuma palavra, mas me olhava profundamente. Sorriu com o olhar e depois com todo o rosto. Foi sem dúvidas o olhar mais sereno que cruzou com o meu nesses dias tão intensos. Ela e sua mãe moram a cerca de 7 km de distância do centro de acolhimento, onde as crianças recebem refeição diária. Por sua mãe não conseguir carregá-la pelos 14 km diários, Celine não se alimenta todos os dias. A mãe trabalha diariamente na Machamba (roça) e carrega a menina a tiracolo. Graças a esse dia de atendimento, a Fraternidade pôde intervir inicialmente com mantimentos e recursos à mãe, bem como o acompanhamento de todo o seu tratamento a partir de agora.