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Movimentos sociais defendem educação no campo em seminário

Ensinar o convencional, considerando também as raízes culturais dos povos do Cerrado. O estudo em escolas bilíngues ou até mesmo trilíngues é um avanço às vistas do karajá Sinvlado Oliveira que vê, em sua comunidade, crianças aprendendo a língua portuguesa, como também a língua nativa, processo fundamental para a revitalização da cultura e da língua indígenas. A partilha de experiências bem sucedidas no campo, como as relatadas pelo líder indígena, assim como a realidade enfrentada pelos estudantes, pais e professores no campo foram os destaques do III Seminário de Educação do Campo do Estado de Goiás, que reuniu docentes e representantes de famílias agrícolas, assentamentos e comunidades indígenas nesta sexta-feira, 11, no auditório da Escola de Formação de Professores e Humanidades (Setor Universitário).

Resultado de uma parceria entre PUC Goiás, UFG, UEG, órgãos públicos e diversos movimentos sociais, o evento mobilizou esses representantes para discutir sobre a educação no campo em Goiás, a partir da conjuntura nacional e internacional das políticas públicas para educação. Entre os diversos argumentos e reivindicações, a defesa à educação no campo foi a bandeira de luta levantada nas discussões, tendo em vista as mudanças no cenário político brasileiro.

“Nós queremos entender o tratamento do Estado para a educação no campo, levando em conta que nós temos uma diversidade de pessoas que moram na zona rural. O campo está envelhecendo, pois os jovens estão indo para a cidade devido à precariedade da educação”, pontuou o coordenador do Programa de Educação e Cidadania da PUC Goiás, prof. Adilson Alves da Silva, representante da universidade no evento.

A abertura foi prestigiada pela docente de Licenciatura em Educação do Campo da UNB, profa. Clarice Aparecida dos Santos, e pelo ex-reitor da UFG, prof. Edward Madureira Brasil, que participaram, de mesa-redonda intitulada Análise da conjuntura político-educacional do Brasil e Goiás. O debate sobre propostas que estão tramitando no Congresso Nacional e diversas mudanças na legislação brasileira foram os principais pontos abordados nas discussões. De acordo com a profa. Clarice, essas propostas produzem efeitos incalculáveis para a escola, principalmente, em relação aos investimentos do Estado na educação.

“Para o campo, especialmente, os efeitos dessas medidas serão mais graves, devido à falta de escolas e professores. A necessidade do campo brasileiro é um investimento à longo prazo, para assegurar o direito da população do campo estudar da educação infantil ao ensino superior. A média de estudo da população do campo, por falta de oferta, é de quatro anos e meio. A tendência é que as escolas sejam fechadas, porque elas tendem à nucleação”, refletiu a docente da UNB. As experiências de resistência da educação do campo em Goiás, com representantes avá-canoeiros e xavantes e associações de famílias agrícolas, assim como a discussão sobre o plano municipal de carreira dos trabalhadores em educação do campo e políticas e programas de financiamentos foram outros eixo temáticos abordados no encontro, que continua até às 17 horas desta sexta-feira, na Escola de Formação de Professores.

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Fotos: Weslley Cruz